PILAR VALORES

Ela começou vendendo doce escondida.

Anos depois, colocou o salário inteiro na mão do marido recém-demitido e disse uma palavra só. Esta é a história de Paty Ivo — antes e além da empresa.

15 ANOS

A vergonha veio junto com o primeiro negócio.

Quase todo começo tem uma parte que a gente não põe no currículo.

Paty tinha 15 anos quando começou a vender doce na rua. Não era projeto de jovem empreendedora. Era necessidade.

Quando via alguém conhecido chegando, ela se escondia. Atravessava, sumia, esperava passar. Vender era o que precisava ser feito. Ser vista fazendo aquilo era outra coisa.

Ela continuou vendendo.

Começar com vergonha ainda é começar.

16 ANOS

Segunda melhor vendedora da loja.

Talento quase sempre chega depois do trabalho, não antes.

Um ano depois, ela estava numa loja de sapatos. Aos 16, já era a segunda melhor vendedora da equipe.

Ninguém ali sabia da menina que se escondia na rua. Mas o que apareceu no balcão foi exatamente o que a rua tinha construído: ouvir antes de falar, insistir sem constranger, receber o não e voltar no dia seguinte.

A rua não foi o obstáculo. Foi o treino.

A VIDA A DOIS

Depois veio o Fred — e a conta passou a ser de dois.

Casar é dividir a régua do risco com outra pessoa.

Paty e Fred viraram parceiros de vida muito antes de virarem parceiros de negócio. Casa, filhos, contas, planos: tudo passou a ser decidido junto.

E toda decisão de dois tem um momento em que alguém precisa ir primeiro. Normalmente ele chega sem avisar.

Antes de qualquer sociedade, existe uma aliança.

2015

Fred foi demitido. Paty estava grávida de oito meses.

Não era um mês qualquer para ficar sem salário. Era mês de montar quarto de bebê, de contar dia no calendário, de precisar de chão firme como nunca.

Paty pegou o salário inteiro dela. Colocou na mão dele.

E disse uma palavra.

vai.

Sem discurso, sem plano B anunciado. Um salário inteiro e uma palavra.

Fé, ali, não foi sentimento. Foi um envelope na mão do outro.

OS ANOS SEGUINTES

Cinco filhos criados no meio da construção.

Empresa que nasce em casa cresce no colo de alguém.

O que veio depois daquele “vai” não foi virada de filme. Foram anos. Paty criou cinco filhos enquanto sustentava, junto com Fred, a construção da empresa que hoje é a 6P Condo.

Sustentar, aqui, tem os dois sentidos. O financeiro, nos meses em que a empresa ainda não pagava ninguém. E o outro, o de segurar em pé quando o de fora não vê e o de dentro cansa.

Atrás de quase toda empresa em pé, tem alguém segurando a base.

15 anos

primeiro negócio, vendendo doce na rua

16 anos

segunda melhor vendedora da loja de sapatos

5 filhos

criados durante a construção da empresa

O PRINCÍPIO

O que fica dessa história.

A gente não cresceu porque rezava. A gente cresceu porque rezava e depois trabalhava como se tudo dependesse só de nós.

Fé sem obra é ilusão.

o que a gente aprendeu no caminho

Não tem fórmula nisso. Tem escolha repetida por muito tempo, quase sempre num dia ruim, quase sempre sem plateia.

Se você está no meio de um desses dias, vale saber: a parte difícil também conta como progresso. Hoje Paty mentora empreendedoras justamente por causa dessa parte — a que não aparece no resultado, mas explica ele inteiro.

O CONVITE

Vem conhecer O CASAL

Todo dia a gente conversa sobre o mercado condominial do mesmo jeito que aprendeu a viver: sem rodeio, com o que foi vivido de verdade. Se essa história falou com você, o canal é o próximo passo natural.